Pergunta: Como vaishnavas, como devemos lidar com a crença de que o sexo é, frequentemente, uma expressão de amor num relacionamento?

HDG:
As pessoas costumam perguntar sobre a visão consciente de Krishna a respeito do sexo como uma expressão de amor. Aqui estão alguns pontos:

1. As coisas materiais são moralmente neutras. Elas tornam-se boas ou más à medida que são utilizadas para produzir verdadeira felicidade ou sofrimento. Prabhupada deu o exemplo de um bisturi nas mãos de um cirurgião qualificado ou nas mãos de um criminoso violento.

2. O sexo é, naturalmente, uma das atividades humanas “naturais”, e Krishna diz no Gita 7.11: “Eu sou o amor sexual (kama) que não se opõe ao dharma”.

3. Em seus ensinamentos, Prabhupada frequentemente definia “sexo ilícito” como “sexo fora do casamento”, e ele também deu uma definição mais rigorosa: “sexo que não se destina à procriação”. Portanto, nós possuímos ambos padrões. Muitos grhasthas seguem o padrão mais fácil, que ainda é admirável nesses dias e nesta era.

4. Em relação ao sexo como uma expressão de amor, eu acredito que seja justo dizer que a maneira pela qual se expressa afeto, carinho etc., varia à medida que avançamos na consciência de Krishna. Temos o exemplo excelente da manteiga e do ghee. No mercado, encontramos ‘manteiga pura “. Se cortarmos a manteiga, acharemos nada mais do que manteiga. É somente quando nós colocamos manteiga “pura” no fogo que ela começa a separar-se em dois componentes: óleo de manteiga pura, ‘ghee’, e as “impurezas” que são removidas e, ocasionalmente, utilizadas para outros fins.

Aqui está uma analogia: nos estágios iniciais da consciência de Krishna, quase todos nós experienciamos emoções simples, aparentemente unitárias, como o amor, a devoção, o entusiasmo etc. À medida que avançamos ao longo da vida, no fulgor da prática espiritual que muitas vezes é desafiadora, aprendemos mais e mais sobre nós mesmos, e começamos a ver que os nossos sentimentos “simples”, como o entusiasmo, o amor, a devoção, etc., são compostos por sentimentos espirituais puros e por emoções menos puras e por desejos tingidos por conexões sutis. Isso é verdade não só nos relacionamentos pessoais, mas também em funções de serviço “puro” como distribuidor de livros, líder de templo, pregador etc. etc. Prabhupada ensinou que a consciência de Krishna é um processo gradual e, portanto, pela prática paciente, nós gradualmente nos conheceremos mais e mais.

Um devoto avançado, que vê a si mesmo claramente como uma alma pura além do corpo, e que compreende como o apego corpóreo impede a consciência pura, torna-se menos inclinado a expressar amor e afeição por meio de atos que intensamente estimulam e gratificam o corpo. É claro que mesmo as almas puras expressam afeto por meio de atos corpóreos não-sexuais, como um abraço amoroso. Encontramos tais expressões corpóreas de amor mesmo nos próprios passatempos do Senhor.

Prabhupada reconheceu que os devotos, gradualmente, atingiriam o estágio avançado e, assim, ele deu as duas definições de sexo apropriado e ilícito para praticantes espirituais, como mencionado acima.

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