Pergunta: Numa entrevista (veja abaixo) a um repórter em 1975, Srila Prabhupada diz que os devotos usam dhotis e saris para serem reconhecidos como Hare Krishnas, comparando isso ao uso de uniformes pelos policiais. Ao mesmo tempo, nesa mesma entrevista, ele diz que a vestimenta não é importante. Por favor, explique isso.

HDG:
Minhas considerações:
1. Prabhupada nessa entrevista diz, por duas vezes, que a vestimenta não é importante.

2. Ele também afirma que as pessoas podem tornar-se conscientes de Krishna sem as tradicionais vestimentas indianas.

3. Ele usa uma analogia entre as nossas vestimentas e o uniforme policial. Na verdade, Prabhupada apreciava feedbacks inteligentes a respeito das questões materiais e, nesse sentido, eu teria sugerido a Prabhupada que, em dois aspectos, a analogia com a polícia não se aplica a nós:

a) A polícia já é reconhecida como uma autoridade. As pessoas simplesmente precisam saber quem são os policiais. As pessoas no Ocidente não nos aceitam imediatamente como autoridades espirituais e, assim, elas não precisam, apenas, saber quem somos.

b) Um uniforme policial é cuidadosamente feito para se adequar à cultura existente e para inspirar respeito pela profissão. Nosso “uniforme” não se adapta à cultura existente e para a maioria das pessoas não inspira obediência aos devotos como líderes espirituais. Como o repórter diz abaixo, a maior parte das pessoas acham nosso uniforme “estranho” e “esquisito”.

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Repórter: Swamiji, seu movimento tem recebido muita atenção por pelo menos um motivo: muitos dos seus seguidores vestem-se com o que para o Ocidente é um estilo esquisito e relacionam-se com o mundo de uma maneira esquisita. Poderia dar uma resposta a isso? Por que você pediu aos seus seguidores para que se vestissem desse modo e para que tocassem tambores nas ruas?

Prabhupada: Esse é o nosso método de pregação: de um jeito ou de outro chamar a atenção deles. (riso)

Devotos: Jaya! Haribol!

Repórter: Estou certo de que você está ciente de que para muitas pessoas no Ocidente, nos Estados Unidos, na cidade de Nova Iorque especificamente, seus discípulos parecem estranhos por causa do modo como eles agem nas ruas. O que você diria sobre isso?

Prabhupada: Sim, eles devem ser estranhos porque eles são espirituais. Todos vocês são materiais. (riso) Então, para as pessoas materialistas, nós somos certamente pessoas estranhas.

Repórter: Esta manifestação é o único caminho para ser espiritual, vestindo-se dessa maneira?

Prabhupada: Não, não, você não pode competir conosco. Porque nós não praticamos sexo ilícito, nós não comemos carne, nós não nos intoxicamos, nós não jogamos jogos de azar. Há muitos “nãos” que você é incapaz de cumprir.

Repórter: Swami, essa não era minha pergunta. Minha pergunta era: essa manifestação, vestir-se desse jeito, tocar tambores e dançar nas ruas, é o único modo de ser espiritual?

Prabhupada: Não, nós temos aproximadamente 60 livros. Se você quiser conhecer esse movimento através da ciência e da filosofia, nós temos nossos livros. Você não viu nossos livros? (riso)

Repórter: Swami, esse não era o ponto da minha pergunta. Sim, eu vi. O ponto da minha pergunta é simplesmente isto: As pessoas não podem ser espirituais sem se vestir dessa maneira e dançar nas ruas?

Prabhupada: Oh, sim, oh, sim, você pode se tornar espiritual com essa sua roupa. Simplesmente você deve aprender o que vem dos livros. A vestimenta…a vestimenta não é uma coisa importante, mas ainda, no campo material, essa garota está vestida de um jeito diferente, você está vestido de um jeito diferente.

Repórter: O modo como nos vestimos nos permite frequentar todos os círculos.

Prabhupada: Não, o ponto é: a vestimenta não é muito importante.

Repórter: Mas os seus discípulos se vestem dessa forma…

Prabhupada: Mas apenas para chamar uma certa… Assim como o policial, ele se veste de um modo diferente. Pode-se entender que ele é um policial. Similarmente, nós também estamos vestidos de uma maneira diferente, de modo que as pessoas possam entender que nós somos os Hare Krishna.

Devotos: Jaya! Haribol!

(Nova Iorque, março 1975)

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